Mas, na crônica do segundo dia de um dos maiores acontecimentos da música pop no mundo, também merecem destaque grupos novos que tiveram passagens excelentes pelo festival, como The XX, Warpaint e Edward Sharpe & The Magnetic Zeros. A banda francesa Phoenix, que também vai ao Brasil, em novembro, foi outro que desceu do palco ouvindo palmas e gritos entusiasmados.
O trio de punk/pop formado em 1987 foi a razão que levou a maioria das cerca de 90 mil pessoas ao Lollapalooza no sábado, e Billie Joe deixou claro o quanto gosta de ser o centro das atenções. Desde o início da performance do Green Day, com a música "21st Century breakdown", que dá nome ao último disco da banda, o vocalista berrou inúmeras vezes para o público jogar as mãos ao alto, pular ou bater palmas, chamou vários fãs ao palco, fez covers de Black Sabbath, AC/DC, Guns' n' Roses, Rolling Stones e cantou até "Hey Jude", do Paul McCartney.
Até certo ponto, foi engraçado. Depois de cantar com um felizardo pinçado do público, Billie Joe convenceu o cara a fazer um "stage dive" (mergulho do palco) e o sujeito foi com tudo. Outro fã cantou "Longview" com tanta desenvoltura que o líder do Green Day deu a ele uma de suas guitarras (depois de beijá-lo na boca).
Mas, a partir de um certo momento, a rotina de brincadeiras deixou a apresentação parecida com um programa de auditório. Era muita firula entre as músicas. Seria melhor reduzir as piadas a 30% e deixar o som ganhar mais proporção. Porque nesse quesito, Billie Joe, Tré Cool e Mike Dirnt são competentes e não precisam economizar. Pancadas como "Know your enemy", "She", "Basket case" e "American idiot" empolgaram muito.
Segundo grupo mais esperado do dia, o Phoenix reforçou a fama de bom de palco. Como de costume na turnê atual, o quarteto de Varsailles, que canta em inglês, abriu os trabalhos com seu maior hit, "Lisztomania", do último disco, "Wolfgang Amadeus Phoenix", de 2009. Daí em diante, a banda manteve a pegada e fechou com outras duas favoritas de seus fãs: "If I ever feel better" e "1901". Durante ambas, o vocalista Thomas Mars, um dos músicos mais carismáticos do mundo pop atual, desceu para cantar com o público. E "1901" ganhou uma versão esticada antes de tudo acabar em ovação.O trio britânico The XX reuniu um público enorme para sua apresentação. A banda estourou há menos de um ano, com seu indie pop de camadas densas e molho de new wave, e já é um dos grupos mais concorridos em eventos plurais como este de Chicago. Mas valeu a pena o esforço para chegar perto do palco. No Festival Coachella, na Califórnia, em abril, o som do XX ficou meio disperso, sem pressão, mas o grupo ajustou os parafusos e deixou em transe a plateia no Grant Park.